PROJETO: REPÚBLICA E DEMOCRACIA

Série de entrevistas pretende organizar consensos para orientar uma nova frente no Brasil

São inúmeros os fatores que transformaram o Brasil na atual “laranja de amostra” do fascismo pós-moderno e do ultraliberalismo. Os erros e responsabilidades são apontados sistematicamente e circulam com grande abrangência nas redes sociais de militantes dos diversos partidos. A mídia tradicional também dedica bastante espaço para as divergências mais latentes entre as lideranças do campo democrático. Paralelamente, a Frente Ampla do Uruguai e a Geringonça de Portugal são citadas como referências do que deve ser feito por aqui para retomarmos um novo ambiente de civilidade democrática.

Neste contexto complexo e paradoxal, o Instituto Novos Paradigmas (INP) e o Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Declatra), com o apoio da revista virtual Democracia e Direitos Fundamentais (DDF), estão lançando o projeto “República e Democracia: o futuro não espera”. O objetivo é ouvir grandes personalidades políticas do país na busca de consensos estratégicos. Como presidente dos conselhos do INP e do DDF, o ex-ministro e ex-governador do RS Tarso Genro vai coordenar o trabalho, ao lado da jornalista, pesquisadora e professora Sandra Bitencourt. O sociólogo Jorge Branco, diretor executivo do INP e do DDF, será responsável pela articulação.

Para a execução do projeto serão realizadas uma série de entrevistas. A primeira delas será com o também ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes, no dia 18 de janeiro. Na sequência virão José Dirceu, Flávio Dino, Guilherme Boulos, Aloizio Mercadante, Luiza Erundina, Celso Amorim, Manuela D’Ávila, Marina Silva e Fernando Haddad. Ainda foram convidados Benedita da Silva e Marcelo Freixo.

“A metodologia das entrevistas visa buscar "pontos comuns", nas ideias apresentadas pelos entrevistados, ao contrário do que é o "normal em nosso meio, que é a verificação dos "dissensos" entre as esquerdas, não de "consensos" superiores que possam informar um programa concertado, para unificar uma nova pluralidade de forças, com o propósito de enfrentar a decadência da República e a crise da democracia liberal”, destaca Tarso.

A base dos diálogos, conforme os organizadores, “deverá girar em torno da questão do Pacto Democrático de 88, cujos desdobramentos, na área da economia e das políticas sociais, não tem tido uma mínima efetividade, que possa ser classificada como satisfatória”. Mesmo que não esteja no escopo do projeto, o slogan “o futuro não pode esperar” sinaliza para 2022 deixando claro que a articulação deve começar o quanto antes.

Um dos líderes da Revolução dos Cravos, ocorrida em Portugal em 1974, Vasco Lourenço, saudou a iniciativa e colocou a Associação 25 de Abril à disposição para colaborar com a iniciativa do INP e do DDF. “Sempre considerei que é fundamental que as forças democráticas tentem unir-se à volta do essencial, colocando de lado o acessório que as divide ou pode dividir. Foi isso que fizemos e vimos fazendo há 38 anos na Associação 25 de Abril. Foi isso que em Portugal aconteceu com a Geringonça”.

Mais detalhes do projeto República e Democracia serão divulgados nos sites www.novosparadigmas.com.br, www.direitosfundamentais.org,br e www.defesaclassetrabalhadora.com.br.

As transmissões ao vivo serão feitas pelas respectivas páginas do facebook e youtube e também serão transmitidas pela TVT, sempre as terças-feiras, às 22:30.